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Parte I
Vindo de mares revoltos
Sentindo o aproximar da morte
Chegando a uma terra incógnita
Seres estranhos
Desnudos
Pecaminosos
Primitivos
Oh lindo paraíso !
Desprezado de início
Colônia de exploração de longos anos
Ouro
Riquezas
Sangue penetrando o solo
Vocês serão nossos
Em troca lhe dou simples bens
A lágrima do trabalho forçado
O enriquecimento da coroa
A devastação indígena
Das chicotadas na pele afro
Esse é o hipócrita poder branco hierárquico ...
(de Souza Cruz, Leandro 27/05/2008)
Parte II
Enxergamos ao longe grandes embarcações
Bandeiras a tremular
Espantoso
Pálidos
Excessivamente trajados
Pareciam amistosos a principio
Ameaçadores em pouco tempo
Pobre de minha família
Pobre de meu povo
Trouxeram-nos a discórdia
A morte
Nosso sangue guerreiro
Lavou o chão do nosso hábitat
Tentaram nos escravizar
Esse solo nos pertence
Não nos roubem
Suas armas de fogo não têm alma
Nessa terra vivemos
Que nos dá o fruto da existência
Riqueza de nós indígenas ...
(de Souza Cruz, Leandro 28/05/2008)
Parte III
Roubaram-nos de nossa terra
Martirizaram nosso povo
Em nome do trabalho escravo obrigatório
Assim vivemos por alguns séculos
Trazidos por impulso de uma febre
De um longo e triste tempo de viagem
No caminho morreram semelhantes
Não perdoaram também nossos filhos
Transformaram-nos em moeda
Abusaram do nosso corpo
Condenaram nossos deuses
Lutamos com a força de Palmares
A força do trabalho serviu para luta
As chagas do castigo no futuro serão amuletos
Dessa nossa raça sofrida
Marcas eternas
Salve Quilombo !
Salve a liberdade !
Vigor ...
(de Souza Cruz, Leandro 29/05/2008)
Portugueses
Índios
Negros
Assim inicia nossa saga ...